segunda-feira, 17 de julho de 2017

Os Millennials e a Teoria U



Semana passada fui a uma palestra sobre a Teoria U com minha filha. A sala estava cheia de jovens na faixa dos seus vinte e poucos anos. Pessoas com brilho no olhar, buscando fazer a diferença e todos muito empolgados com a teoria de Otto Scharmer.

O que tinham em comum?

Setenta por cento tinha abandonado as corporações e o emprego CLT. Estranho pensar que em um pais com 14 milhões de desempregados, um grupo enorme de jovens está pouco ligando para a tal carteira assinada, FGTS, férias, etc.

Minha filha de 27 anos e meu filho de 25 anos também abandonaram o crachá há bastante tempo. Ela é consultora do Governo brasileiro para mudanças climáticas e ele está construindo sua carreira na música.

Mas o que está errado nas corporações?

Talvez a resposta que melhor explique o fenômeno seja a mais óbvia. O mundo mudou e as corporações continuam a seguir um modelo similar ao dos protetores do pretório, com pequenas mudanças. Nas escolas, a situação não é muito diferente, o que deve explicar a evasão física e anímica dos alunos.

Mas este modelo não tem funcionado bem até hoje? Parece que não mais...

Isso explica porque as pessoas e muitas organizações estejam se acotovelando para conhecer os conceitos de Otto Scharmer, criador do Presencing Institute e professor do MIT.  O autor propõe um sistema "eco-cêntrico" em vez de"ego-cêntrico", que possui três dimensões, a ecológica, a social e a espiritual.

Parece que as corporações não têm tido muito sucesso na dimensão ecológica, pois insistem no modo de produção linear, baseado na emissão de gases do efeito estufa, uso excessivo de recursos finitos e eliminação de inúmeras espécies.

Na dimensão social, a situação não é muito melhor. Por mais que a prosperidade tenha surgido para algumas Nações e alguns segmentos sociais, mais da metade daqueles que habitam o nosso orbe, ainda não possuem acesso aos bens mais triviais de qualquer sociedade, como água potável, saneamento e três refeições ao dia. Se falarmos de acesso à educação então...

Finalmente, a crise espiritual, que fica estampada nos inúmeros escândalos que contaminam o "core"do sistema e o vazio existencial que invade aquilo que Platão denominou de nosso "psique", principalmente os dos jovens, que buscam propósito em suas vidas, ainda com pouco uso.

Então os jovens fogem para as startups, projetos sociais e para a tal economia colaborativa. Ávidos por resolver a confusão criada pelas gerações quase anciãs, os millennials parecem nos dizer: "vocês podem nos dar licença e nos deixar trabalhar para arrumar esta bagunça?"

Vejo este Novo Êxodo de forma positiva. A busca por corrigir aquilo que não mais funciona e a mudança na nossa trajetória social/ideológica não será inédita.

Esta nova Revolução Cultural, igual a um "Uber Ontológico"vem para varrer os capítulos dos livros didáticos há muito tempo escritos, por mais que a reação jurídica do Status Quo esperneie nas Tribunas, nos Conselhos de Administração e nas telas midiáticas.

A Teoria U afirma que, apesar da reta ser o caminho mais curto, a reflexão forçada pela curva pode deixar evidente aquilo que os diversos Chiefs ainda não enxergaram. A Morada da Essência.




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