domingo, 11 de junho de 2017

2 x 0 é um placar perigoso




Numa noite de futebol, esparramado no sofá, meu time fez 2 x 0 sem muito esforço. Então começou a tocar a bola de lado, tentar dribles humilhantes e tripudiar sobre o adversário. Virei para meu filho e disse: "2 x 0 é um placar perigoso..."

Ele me olhou indignado e disse que eu ficava "gorando"o time... Dez minutos se passaram e o jogo estava 2 x 2... O futebol não perdoa...

Em nossas vidas, muitas vezes nos deparemos com o placar de 2 x 0. E constantemente, relaxamos.

Relaxamos quando tudo parece estar tranquilo em nossos relacionamentos.

Relaxamos após terminarmos nossa formação, parecendo que já fizemos nossa parte.

Relaxamos quando batemos nossas metas e o bônus fica garantido.

Relaxamos quando nossos clientes continuam comprando e parecem satisfeitos.

Então baixamos a guarda. Ficamos meio sonolentos e enfastiados.

E o adversário aguerrido penetra na nossa defesa, encontra volantes distraídos e zagueiros jogando com salto 15.

2 x 2

É compreensível relaxar quando tudo parece conquistado. Aí me lembro do "Seu Oswaldo", um senhor muito simpático, responsável pela manutenção numa empresa que trabalhei. Tudo estava sempre impecável e ele nunca deixava uma torneira pingando, uma lâmpada queimada ou um computador fora de operação.

E a gente sempre perguntava pra ele: "Tudo bem aí, Seu Oswaldo?""

E ele, com um leve sorriso, respondia satisfeito: "Tá tudo em ordem, mas o tinhoso tá sempre trabalhando pra derrubar a gente".

Acho até engraçado, mas sempre quando tudo parece tranquilo e o jogo vitorioso se encaminha para o final, fico pensando no tinhoso, escondido para nos pregar uma peça. É incrível a frequência com que isso acontece.



domingo, 4 de junho de 2017

Franchesco, o CEO mais disruptivo do nosso tempo


Parece que atualmente tudo é  disruptivo, ou seja, pode causar uma quebra radical no rumo natural das coisas.

Mas pouca coisa realmente é disruptiva. Arrisco a dizer que a chamada Revolução Digital não seja tão disruptiva como falam os especialistas. Ela é o aprofundamento de um processo que já vem ocorrendo há décadas. Então, comprar uma pizza via aplicativo ou conversar em rede com o mundo todo é apenas consequência do momento atual da evolução tecnológica. A energia elétrica e a penicilina foram muito mais disruptivas.

Ser disruptivo significa mudar a essência de nossas vidas. Fazer nossas vidas mais focadas naquilo que realmente importa. Espalhar felicidade e amor entre as pessoas, mesmo que isso vá contra os interesses de curto prazo de alguns.

Qual organização ou líder conseguiu ser realmente disruptivo e atender aos nossos anseios mais profundos, como a amizade e a conexão com nosso Eu Divino?

Vejo em Franchesco um desses poucos homens. Ele é um homem Santo porque fala ao coração dos homens. Ele é amado, como um Papa nunca foi antes, porque é simples e não se contamina pela riqueza absurda e pelos desvios de sua organização.

A vida simples é o maior sinal de algo que leva a disrupção. Tudo aquilo que complica mais a nossa vida e nos deixa mais longe do nossa Missão Superior é uma ameaça e não uma resposta.

Compramos coisas caras e inúteis e para isso nos endividamos. E temos que trabalhar mais para pagar nossas contas. E então, envelhecemos. E fica o sentimento que algo deu errado. E deu mesmo.

Franchesco fala da inclusão de todas as pessoas, da importância de cuidarmos do meio ambiente, e tem para os políticos e líderes corporativos a mensagem de que não é possível trabalhar para a humanidade e ao mesmo tempo ficar preso aos banquetes exuberantes e mansões suntuosas.

O mensagem não é contra os bens materiais, mas sim à armadilha da empáfia que costuma atingir os homens poderosos, que acabam por se enebriar pelas festas, eventos luxuosos e paparicação e se esquecem do objetivo real das suas posições, contribuir para a construção de um mundo mais justo e solidário.

Franchesco captou o verdadeiro significado da disrupção e consegue sobreviver num mundo de coisas superficiais e descartáveis. Um mundo líquido, nas palavras de Zygmunt Bauman. Aplicativos para celular são importantes e trazem conveniência, mas não deixam mais leve a mochila que todos nós temos que carregar todo santo dia.


quinta-feira, 1 de junho de 2017

O peixe morre pela boca, pelo o que fala e come



Este velho e batido diário continua atual e precioso. As palavras devem ser pensadas e trabalhadas antes de serem lançadas ao vento, porque depois que saírem da boca, não tem santo que possa fazê-las voltar.

Outra forma frequente de matar o peixe é pelo o que ele come. Existem terapias baseadas nos alimentos que prometem curar vários tipos de doenças e prevenir que apareçam mais pra frente. Dietas a base de sucos de hortaliças e da eliminação da proteína animal, derivados de leite, farinhas e açúcar estão se disseminando.

Tudo é uma questão de prática e disciplina. Se pensarmos bem antes de falarmos algo e se fizermos o mesmo, ao escolher nosso alimento, teremos uma vida mais saudável e longeva.

Mas alguém pode perguntar: Do que adianta viver mais sem poder espalhar nosso veneno e comer nossa picanha?

Esse impasse nos remete ao processo de desenvolvimento humano. Será que ao longo das nossas vidas, deveríamos nos preparar para fazer escolhas cada vez melhores?

Trocar o blá blá blá inútil por conversas mais profundas e efetivas? Trocar a comilança por reuniões com amigos verdadeiros? Dançar mais, caminhar mais, ler bons livros?

Talvez o segredo seja pararmos de fazer e falar coisas no automático.

Falar muito não é falar o importante.

Comer muito não significa alimentar nosso corpo e alma.

É uma questão de afinar no instrumento...


Viver é afinar o instrumento.
De dentro pra fora.
De fora pra dentro.

Serra do Luar (Walter Franco).